domingo, 13 de outubro de 2019

Lembranças da infância

Lembro de pouca coisa, mas a maior parte são coisas que deveriam ser esquecidas, eu sempre ouvi de minha mãe que amor não existia, que os homens só queriam nos usar, a orientação que eu tive como filha de mãe solteira foi que eu deveria me dedicar aos estudos, por que homem não prestava. Ao longo de minha adolescência sempre tive amores platônicos, apesar de receber pouco afeto de minha mãe, eu tinha necessidade de estar gostando de alguém, não tinha essa ideia de namoro com beijos e abraços, mas tinha a necessidade de que os meninos soubessem que eu gostava deles, de fato nenhum deles me correspondeu, e isso me levou a passar a adolescência sem namorar, pois eu sempre quis dar meu primeiro beijo em alguém que de fato eu gostasse. Como sempre gostei de ser sincera não queria ficar por ficar, pois a ideia de que a pessoa que eu gostasse viesse ame procurar eu não queria ter ficado com um amigo, e assim o tempo passou, meu primeiro beijo foi um selinho roubado, por um guri mais novo que eu.  Tinha nojo de beijo e aos 23 anos conheci um cara que me interessou e se interessou por mim. Hoje tenho consciência de que o tempo inteiro sabotei a relação por não acreditar que merecia aquele amor, e passei o tempo inteiro fazendo ele desistir de mim, focava sempre nos defeitos dele e não consegui me entregar por inteiro, menso assim ficamos numa relação desgastada por dez anos. Atualmente estou fazendo terapia para descobrir se eu de fato não o amo ou se eh só medo que me afasta. Em virtude de todos meus traumas eu prometi a mim mesmo que nunca me submeteria a nenhum homem e que eu não sofreria mais por ninguém, mas sei que sofre mais quem tem medo de amar do que aquele que ama.